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Archive for agosto \25\UTC 2011

Expansão da Sociolinguística (transcrição)

O texto abaixo vai para aqueles que gostariam de saber um pouco mais sobre a Sociolinguística, suas buscas e seus locais de produção atualmente no Brasil.

“Além de contribuir para a descrição e explicação de fenômenos linguísticos, a sociolinguística também fornece subsídios para a área do ensino de línguas. Os sociolinguistas postulam que os dialetos das classes desfavorecidas não são inferiores, insuficientes ou corrompidos. Afirmam que esses dialetos são estruturados com base em regras gramaticais, muitas das quais diferentes das regras do dialeto padrão. Dessa forma, a sociolinguística cria nos (futuros) professores uma visão menos preconceituosa e incentiva-os a valorizar todos os dialetos e a mostrar à criança que o dialeto culto é considerado melhor socialmente, mas que estrutural e funcionalmente não é nem melhor nem pior que o dialeto da comunidade do aluno.

A sociolinguística, com suas pesquisas baseadas na produção real dos indivíduos, dá-nos informações detalhadas acerca da variante produzida pelas pessoas mais escolarizadas, sobre as variantes que deixaram de ser estigmatizadas, e das mudanças já implementadas na fala, mas que ainda não são aceitas nas gramáticas normativas. Com isso, a área da educação se enriquece com as informações que podem ser usadas também no ensino da língua culta, que passa a ser baseada em dados reais.

No que se refere ao ensino de línguas estrangeiras, as pesquisas acerca da variação podem contribuir para fornecer material para que as aulas sejam baseadas na forma como realmente os nativos falam, na preparação de material com diversos tipos de registros com as suas variações linguísticas típicas, na escolha do dialeto a ser ensinado, dentre outros elementos.

Os processos teórico-metodológicos da sociolinguística são trabalhados em diversos centros de pesquisa no mundo. No brasil, as pesquisas nessa linha começaram a ser desenvolvidas na década de 1970, através da atuação de alguns grupos de pesquisadores, a saber: o grupo do projeto Mobral Central, o grupo do projeto da Norma Urbana Oral Culta do Rio de Janeiro (Nurc) e o do projeto Censo da Variação Linguística no Estado do Rio de Janeiro (Censo), tendo como coordenadores os professores Miriam Lemle, Celso Cunha e Anthony Naro, respectivamente. A partir daquela década, muitos trabalhos foram realizados nessa linha.

Hoje, em várias universidades brasileiras, há grupos que seguem os pressupostos teórico-metodológicos da sociolinguística, como o Programa de Estudos sobre o Uso da Línha (Peul), continuidade do Projeto Censo, o próprio Nurc – na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); o projeto de Variação Linguística da Região Sul do Brasil (Varsul) – na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Diversas teses foram defendidas com o objetivo de descrever as formas variantes do português do Brasil e de explicar os fatores  linguísticos e extralinguísticos que favorecem/desfavorecem as variantes linguísticas.

Muitos projetos buscam novas alternativas para explicar a variação e a mudança, a partir de outras áreas da linguística como o funcionalismo. Por outro lado, há grupos funcionalistas que aproveitam o aparato teórico-metodológico da sociolinguística para preparar o corpus e para coletar e analisar os dados, como é o caso do projeto Discurso & Gramática, iniciado pelo professor Sebastião Votre na UFRJ e que hoje conta com representantes em diversas universidade do Brasil”.

(Maria Maura Cezario & Sebastião Votre. Sociolinguística. In: Mário Eduardo Martelotta (org.) Manual de Linguística. São Paulo: Contexto,2008).

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