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Desinformação e desrespeito na mídia brasileira

Desinformação e desrespeito na mídia brasileira

Por alguma razão escondida dentro de cada um de nós que escrevemos este texto tivemos como escolha profissional o ensino de língua (materna ou estrangeira). Por algum motivo desconhecido, resolvemos abraçar uma das profissões mais mal pagas do nosso país. Não quisemos nos tornar médicos, advogados ou jornalistas. Quisemos virar professores. E, para fazê-lo, tivemos que estudar.

Estudar, para alguém que quer ensinar, tem uma dimensão profunda. Foi estudando que abandonamos muitas visões simplistas do mundo e muitos dos nossos preconceitos.

Durante anos debatemos a condição da educação no Brasil; cotidianamente nos aprofundamos na realidade do país e em uma das expressões culturais mais íntimas de seus habitantes: a sua língua. Em várias dessas discussões utilizamos reportagens, notícias, ou fatos trazidos pelos jornais.

Crescemos ouvindo que jovem não lê jornal e que a cada dia o brasileiro lê menos. A julgar por nosso cotidiano, isso não é verdade. Tanto é que muitos de nós, já indignados com o tratamento dado pelo Jornal Nacional à questão do material Por uma vida melhor, perdemos o domingo ao, pela manhã, lermos as palavras de um dos mais respeitados jornalistas do país criticando, na Folha de S. Paulo, a valorização dada pelo material ao ensino das diferentes possibilidades do falar brasileiro. E ficamos ainda mais indignados durante a semana com tantas reportagens e artigos de opinião cheios de ideias equivocadas, ofensivas, violentas e irresponsáveis. Lemos textos assim também no Estado de São Paulo e nas revistas semanais Veja e IstoÉ.

Vimos o Jornal Nacional colocar uma das autoras do material na posição humilhante de ter que se justificar por ter conseguido fazer uma transposição didática de um assunto já debatido há tempos pelos grandes nomes da Linguística do país – nossos mestres, aliás. O jornalista Clovis Rossi afirmou que a língua que ele julga correta é uma “evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras” e que os professores têm o baixo salário justificado por “preguiça de ensinar”. Uma semana depois, vimos Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti narrarem um drama em que um aluno teria aprendido uma construção errada de sua língua, e afirmarem que o material “vai condenar esses jovens a uma escuridão cultural sem precedentes“. Também esses dois últimos jornalistas tentam negar a voz contrária aos seus julgamentos, dizendo que pouquíssimos foram os que se manifestaram, e que as ideias expressas no material podem ter sucesso somente entre alguns professores “mais moderninhos”. Já no Estado de São Paulo vimos um economista fazendo represálias brutas a esse material didático. Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia, porém fica nítida a fragilidade de suas concepções sobre ensino da língua. A mesma desinformação e irresponsabilidade revelou o cineasta Arnaldo Jabor, em seu violento comentário na rádio CBN.

Ficamos todos perplexos pela falta de informação desses jornalistas, pela inversão de realidade a que procederam, e, sobretudo, pelo preconceito que despejaram sem pudor sobre seus espectadores, ouvintes e leitores, alimentando uma visão reduzida ao senso comum equivocado quanto ao ensino da língua. A versão trazida pelos jornais sobre a defesa do “erro” em livros didáticos, e mais especificamente no livro Por uma vida melhor, é uma ofensa a todo trabalho desenvolvido pelos linguistas e educadores de nosso país no que diz respeito ao ensino de Língua Portuguesa.

A pergunta inquietante que tivemos foi: será que esses jornalistas ao menos se deram o trabalho de ler ou meramente consultar o referido livro didático antes de tornar públicas tão caluniosas opiniões? Sabemos que não. Pois, se o tivessem feito, veriam que tal livro de forma alguma defende o ato de falar “errado”, mas sim busca desmistificar a noção de erro, substituindo-a pela de adequação/inadequação. Isso porque, a Linguística, bem como qualquer outra ciência humana, não pode admitir a superioridade de uma expressão cultural sobre outra. Ao dizer que a população com baixo grau de escolaridade fala “errado”, o que está-se dizendo é que a expressão cultural da maior parte da população brasileira é errada, ou inferior à das classes dominantes. Isso não pode ser concebido, nem publicado deliberadamente como foi nos meios de comunicação. É esse ensinamento básico que o material propõe, didaticamente, aos alunos que participam da Educação de Jovens e Adultos. Mais apropriado, impossível. Paulo Freire ficaria orgulhoso. Os jornalistas, porém, condenam.

Sabemos que os veículos de comunicação possuem uma influência poderosa sobre a visão de mundo das pessoas, atuam como formadores de opinião, por isso consideramos um retrocesso estigmatizar certos usos da língua e, com isso, o trabalho de profissionais que, todos os dias, estão em sala de aula tentando ir além do que a mera repetição dos exercícios gramaticais mecânicos, chamando atenção para o caráter multifacetado e plural do português brasileiro e sua relação intrínseca com os mais diversos contextos sociais.

A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas aparecem, sobretudo, o medo da escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes. Entretanto, se tivessem lido o referido material, esse medo teria facilmente se esvaído. Como todo linguista contemporâneo, os autores deixam claro, na página 12, que “Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário“. Dessa forma, sem deixar de valorizar a norma escrita culta – necessária para atuar nas esferas profissional e cultural, e logo, determinante para a ascensão econômica e social de seus usuários, embora não suficiente – o material consegue promover o debate sobre a diversidade linguística brasileira. Esse feito, do ponto de vista de todos que produzimos e utilizamos materiais didáticos, é fundamental.

Sobre os conteúdos errôneos que foram publicados pelos jornais e revistas, foi possível ver que, após uma semana, as respostas dadas pelos educadores, estudiosos da linguagem e, sobretudo, da variação linguística, já foram bastante elucidativas para informar esses profissionais do jornalismo. Infelizmente alguns jornalistas não os leram. Mas ainda dá tempo de aprender com esses textos. Leiam as respostas de linguistas tais como Luis Carlos Cagliari, Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Sírio Possenti, e de educadores tais como Maria Alice Setubal e Maurício Ernica, entre outros, publicadas em diversas fontes, como elucidativas e representativas do que temos a dizer. Aliás, muito nos orgulha a paciência desses autores – foram verdadeiras aulas para alunos que parecem ter que começar do zero. Admirável foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Linguística, de Educação – e de atitude cidadã, diga-se de passagem – para “formadores de opinião” que, sem o domínio do assunto, resolveram palpitar, julgar e até incriminar práticas e as ideias solidamente construídas em pesquisas científicas sobre a língua ao longo de toda a vida acadêmica de vários intelectuais brasileiros respeitados, ideias essas que começam, aos poucos, a chegar à realidade das escolas.

Ao final de anos de luta para podermos virar professores, ao invés de vermos nossos pensadores, acadêmicos, e professores valorizados, vimos a humilhação violenta que eles sofreram. Vimos, com isso, a humilhação que a academia e que os estudos sérios e profundos podem sofrer pela mídia desavisada (ou maldosa). O poder da mídia foi assustador. Para os alunos mais dispersos, algumas concepções que levaram anos para serem construídas foram quebradas em instantes. Felizmente, esses são poucos. Para grande parte de nossos colegas estudantes de Letras o que aconteceu foi um descontentamento geral e uma descrença coletiva nos meios de comunicação.

A descrença na profissão de professor, que era a mais provável de ocorrer após tamanha violência e irresponsabilidade da mídia, essa não aconteceu – somente por conta daquele nosso motivo interno ao qual nos referimos antes. Nossa crença de que a educação é a solução de muitos problemas – como esse, por exemplo – e que é uma das profissões mais satisfatórias do mundo continua firme. Sabemos que vamos receber baixos salários, que nossa rotina será mais complicada do que a de muitos outros profissionais, e de todas as outras dificuldades que todos sabem que um professor enfrenta. O que não sabíamos é que não tínhamos o apoio da mídia, e que, pior que isso, ela se voltaria contra nós, dizendo que o baixo salário está justificado, e que não podemos reclamar porque não cumprimos nosso dever direito.

Gostaríamos de deixar claro que não, ensinar gramática tradicional não é difícil. Não temos preguiça disso. Facilmente podemos ler a respeito da questão da colocação pronominal, passar na lousa como os pronomes devem ser usados e dizer para o aluno que está errado dizer “me dá uma borracha”. Isso é muito simples de fazer. Tão simples que os senhores jornalistas, que não são professores, já corrigiram o material Por uma vida melhor sobre a questão do plural dos substantivos. Não precisa ser professor para fazer isso. Dizer o que está errado, aliás, é o que muitos fazem de melhor.

Difícil, sabemos, é ter professores formados para conseguir promover, simultaneamente, o debate e o ensino do uso dos diversos recursos linguísticos e expressivos do português brasileiro que sejam adequados às diferentes situações de comunicação e próprios dos inúmeros gêneros do discurso orais e escritos que utilizamos. Esse professor deve ter muito conhecimento sobre a linguagem e sobre a língua, nas suas dimensões linguísticas, textuais e discursivas, sobre o povo que a usa, sobre as diferentes regiões do nosso país, e sobre as relações intrínsecas entre linguagem e cultura.

Esse professor deve ter a cabeça aberta o suficiente para saber que nenhuma forma de usar a língua é “superior” a outra, mas que há situações que exigem uma aproximação maior da norma culta e outras em que isso não é necessário; que o “correto” não é falar apenas como paulistas e cariocas, usando o globês; que nenhum aluno pode sair da escola achando que fala “melhor” que outro, mas sim ciente da necessidade de escolher a forma mais adequada de usar a língua conforme exige a situação e, é claro, com o domínio da norma culta para as ocasiões em que ela é requerida. Esse professor tem que ter noções sobre identidade e alteridade, tem que valorizar o outro, a diferença, e respeitar o que conhece e o que não conhece.

Também esse professor tem que ter muito orgulho de ser brasileiro: é ele que vai dizer ao garoto, ao ensinar o uso adequado da língua nas situações formais e públicas de comunicação, que não é porque a mãe desse garoto não usa esse tipo de variedade lingüística, a norma culta, não conjuga os verbos, nem usa o plural de acordo com uma gramática pautada no português europeu, que ela é ignorante ou não sabe pensar. Ele vai dizer ao garoto que ele não precisa se envergonhar de sua mãe só porque aprendeu outras formas de usar o português na escola, e ela não. Ele vai ensinar o garoto a valorizar os falares regionais, e ser orgulhoso de sua família, de sua cultura, de sua região de origem, de seu país e das diferenças que existem dentro dele e, ao mesmo tempo, a ampliar, pelo domínio da norma culta, as suas possibilidades de participação na sociedade e na cultura letrada. O Brasil precisa justamente desse professor que esses jornalistas tanto incriminaram.

Formar um professor com esse potencial é o que fazem muitos dos intelectuais que foram ofendidos. Para eles, pedimos que esses jornalistas se desculpem. E lhes agradeçam. E, sobretudo, antes de os julgarem novamente, leiam suas publicações. Ironicamente, pedimos para a mídia se informar.

Nós somos a primeira turma a entrar no mercado de trabalho após esse triste ocorrido da imprensa. Somos muito conscientes da luta que temos pela frente e das possibilidades de mudança que nosso trabalho promove. Para isso, estudamos e trabalhamos duro durante anos. A nós, pedimos também que se desculpem. E esperamos que um dia possam nos agradecer.

Reafirmamos a necessidade de os veículos de comunicação respeitarem os nossos objetos de estudo e trabalho — a linguagem e a língua portuguesa usada no Brasil —, pois muitos estudantes e profissionais de outras áreas podem não perceber tamanha desinformação e manipulação irresponsável de informação, e podem vir a reproduzir tais concepções simplistas e equivocadas sobre a realidade da língua em uso, fomentando com isso preconceitos difíceis de serem extintos.

Sabemos que sozinhos os professores não mudam o mundo. Como disse a Professora Amanda Gurgel, em audiência pública no Rio Grande do Norte, não podemos salvar o país apenas com um giz e uma lousa. Precisamos de ajuda. Uma das maiores ajudas com as quais contamos é a dos jornalistas. Pedimos que procurem conhecer as teorias atuais da Educação, do ensino de língua portuguesa e da prática que vem sendo proposta cotidianamente no Brasil. Pedimos que leiam muito, informem-se. Visitem escolas públicas e particulares antes de se proporem a emitir opinião sobre o que deve ser feito lá. Promovam acima de tudo o debate de ideias e não procedam à condenação sumária de autores e obras que mal leram. Critiquem as assessorias internacionais que são contratadas reiteradamente. Incentivem o profissional da educação. E nunca mais tratem os professores como trataram dessa vez. O poder de vocês é muito grande – a responsabilidade para usá-lo deve ser também.

Alecsandro Diniz Garcia, Ana Amália Alves da Silva, Ana Lúcia Ferreira Alves, Anderson Mizael, Jeferson Cipriano de Araújo, Laerte Centini Neto, Larissa Arrais, Larissa C. Martins, Laura Baggio, Lívia Oyagi, Lucas Grosso, Maria Laura Gándara Junqueira Parreira, Maria Vitória Paula Munhoz, Nathalia Melati, Nayara Moreira Santos, Sabrina Alvarenga de Souza e Yuki Agari Jorgensen Ramosformandos 2011 em Letras da PUC-SP, futuros professores de Língua Portuguesa e Língua Inglesa.

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Categorias:PUC, Textos, Uncategorized
  1. ana brito
    29/05/2011 às 04:01

    Parabéns, jovens promissores professores de português e inglês do nosso país! Não sou jornalista, mas na condição de médica e professora universitária, concordo integralmente com o excelente texto sobre o desrespeito na mídea brasileira. Estamos cansados da ditadura “do pensamento único” dos globais da vida, dos imbecis “BBB´s” e dos “luans” sem brilho. E, em respeito ao falar da maioria dos brasileiros, parabéns aos autores de “Por uma vida melhor”.

    • Neusa Maria
      01/06/2011 às 17:04

      Mídea…ou mídia???

  2. 29/05/2011 às 04:14

    Veja também, Blog da Cidadania:

    – À classe média arrogante e iletrada http://t.co/ZaIpYbW @eduguim e

    – ‘Os livro’ do MEC nas visões magistrais do Wisnik e do Faraco http://gauche-nunca.blogspot.com/2011/05/os-livro-do-mec-nas-visoes-magistrais.html

  3. Sandoval Zigoni Jr.
    29/05/2011 às 10:05

    Ao final, a falsa polêmica está se revelando positiva, dizendo aos açodados o básico: com o poder da mídia, estudem antes de falarem sobre o que não dominam.

  4. Fernanda Liberali
    29/05/2011 às 14:29

    Meninos e meninas,
    Estou muito orgulhosa e emocionada com o texto apaixonado de vcs. Parabéns por se posicionarem frente a tão importante debate!
    Abraços calorosos.
    Fernanda Liberali

  5. 29/05/2011 às 18:30

    Pessoal, parabéns! Essa carta está para lá de bem escrita! Gostei muito da mobilização, e acho que vocês conseguiram falar não só em nome dos professores de Letras, mas de toda a população que também se chocou com o tipo de cobertura enviesada da mídia para esse caso. Ótimo trabalho!

  6. Jefferson Henrique Ferreira dos Santos
    29/05/2011 às 19:37

    Vocês estão de parabéns!

    Abraços,
    Jefferson Henrique

    Formando 2011 em Letras – Tradutor e Intérprete do UNIBERO

  7. Samanta Malta
    29/05/2011 às 22:39

    Parabéns pessoal,

    Explicação melhor impossível.

    Samanta – Licenciada em Letras Português-Inglês – UMC/2009 professora do Estado e
    Colégio Santa Clara.

  8. Jorge
    30/05/2011 às 05:16

    Pessoal, como jornalista e professor, não poderia expressar outra opinião que não a de partilha. Estão absolutamente certíssimos em dizer tudo que disseram. Boa parte dos jornalistas por aí só quer saber de publicar e não se preocupa em conhecer o assunto abordado.

    Parabéns.

  9. Baby Siqueira Abrão
    30/05/2011 às 08:08

    Excelente análise de uma mídia que precisa aprender, sobretudo, a deixar a arrogância de lado e a aceitar as próprias limitações. Jornalistas têm o poder de influenciar a opinião pública e devem ser chamados às falas por não saber usá-lo, ou por usá-lo mal (de modo voluntário ou não).
    Eu, que aprendi a norma culta em casa e fui criada em bairro de periferia, só posso agradecer a riqueza verbal, e de pensamento, que essas vertentes me proporcionaram.
    Baby Siqueira Abrão, jornalista
    Ramallah, Palestina

  10. Joao Brito
    30/05/2011 às 12:37

    Já que vocês batem tanto nos jornalistas, batam também no professor Evanildo Bechara que deu entrevista à Veja. Ele deve ser outro “preconceituoso” segundo vocês.

    O tom desse manifesto é de uma agressividade sem tamanho, parece a defesa de uma crença, não de ideias. Vocês que têm tanta compaixão em relação a quem não domina a norma culta, não demonstram o mesmo com os jornalistas. Alguém precisa ter estudado sociolinguística para ter opinião? Ter opinião diferente de vocês é crime? Expressá-la é crime?

    • 30/05/2011 às 17:35

      mídia que precisa aprender, sobretudo, a deixar a arrogância de lado e a aceitar as próprias limitações. Jornalistas têm o poder de influenciar a opinião pública e devem ser chamados às falas por não saber usá-lo, ou por usá-lo mal (de modo voluntário ou não).

  11. Margarida Vasconcelos
    30/05/2011 às 14:17

    Parabéns jovens!
    Prossigam na carreira com esta paixão e ética na certeza de que podemos melhorar a nossa educação.
    Salvador-BA

    • Lima
      30/05/2011 às 18:24

      Axatamente. Atacar os jornalistas é facil. Quero ver refutar Evandro Bechara, talvez o maior conhecedor da matéria sobre esse assunto. Linguistas depois de Chomsky são todos contaminado pelo Marxismo e não conseguem ver o mal que fazem ou se conseguem ver, são orgulhosos demais para aceitar que estão enganados. Eles fazem experiencias aqui no Brasil porque aqui se aceita qualquer mudança na educação.

  12. 30/05/2011 às 14:45

    O texto de vocês corrobora a clara, objetiva e desarmada palestra que o Prof. Ataliba deu em recente entrevista televisiva. Estou ainda curioso para ler o tal livro que tem causado essa “tsunami” de reações e tendo a modificar minha própria opinião sobre o “assunto”!.

  13. 30/05/2011 às 14:46

    O texto de vocês corrobora a clara, objetiva e desarmada palestra que o Prof. Ataliba deu em recente entrevista televisiva. Estou ainda curioso para ler o tal livro que tem causado essa “tsunami” de reações e tendo a modificar minha própria opinião sobre o “assunto”!.
    Sou professor de Literatura Luso-Brasileira e Comparada da/na UFOP.

  14. 30/05/2011 às 15:57

    Nossa resposta a você, Jõao de Brito, que achou erroneamente que nossa resposta não considera opiniões contrárias, vai em forma de poema:

    Verdade

    A porta da verdade estava aberta,
    mas só deixava passar
    meia pessoa de cada vez.

    Assim não era possível atingir toda a verdade,
    porque a meia pessoa que entrava
    só trazia o perfil de meia verdade.
    E sua segunda metade
    voltava igualmente com meio perfil.
    E os meios perfis não coincidiam.

    Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
    Chegaram ao lugar luminoso
    onde a verdade esplendia seus fogos.
    Era dividida em metades
    diferentes uma da outra.

    Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
    Nenhuma das duas era totalmente bela.
    E carecia optar. Cada um optou conforme
    seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

    Carlos Drummond de Andrade

    Os jornalistas fizeram feio em criticar sem conhecimento, e a julgar pejorativamente teorias que há muitos anos são aceitas no mundo acadêmico. Quanto a isso não, não poderemos concordar.

  15. Lima
    30/05/2011 às 18:01

    Vou discorda desse texto viciado e contaminado ideologicamente. Não defende e só ataca a mídia jornalística usando de uma estratégia típica da esquerda para defender o que não pode ser defendido. E vou explicar por que: Fiz faculdade de Letras e uma das coisas mais absurda que li ali foi as considerações do livro de Marcos Bagno que, pelo que lembro, era textos de palestras do autor que as escolas passaram a usar para lecionar sobre ela acerca do chamado preconceito lingüístico. Evandro Bechara, talvez o maior gramático brasileiro considere que em nenhum pais do mundo se fez tanta confusão entre o uso da norma culta, como atesta Bagno, como uso de uma Elite que despreza outras variantes como é feita no Brasil.

    O que os alunos que escreveram acima não entendem, e possivelmente jamais entenderam porque nunca leram a Biografia adequada, são “AS VERDADEIRAS RAZÔES POLITICAS” pelas quais eles estão enganados. A começar pelas mudanças nos últimos 25 anos após o fim do Regime Militar onde o MEC veio protagonizando mudanças e mais mudanças sempre privilegiando o pensamento comunista. Todo ensino nacional esta impregnado de ideologia comunista e os alunos e professores são incapazes de entender porque jamais leu nenhum teórico contrário as idéias comunistas que impregnaram a educação. Seria coincidência que os cadernos nacionais tivessem apenas autores Russos como Bahkthin, Vigotsky, etc e outros como Paulo Freire que em sua Pedagogia do Oprimido mostra como é Marxista? Claro que não. A revolução Gramsciana (talvez vocês nunca tenham se aprofundado nisso) trabalha mudanças políticas por meios ideológicos e por isso mesmo todo viés da educação brasileira esta condenado a caminhar para intenções comunistas.

    Pergunte a Marilena Chaui se podemos abrir um centro de estudos sobre autores da direita como Eric Voegelin? Ela vai te mandar sair a ponta pés. Mas se for sobre qualquer teórico comunista você será elogiado. Essa mesma filosofa que usa prédios públicos para fazer campanha para o PT esta tão unida com Bagno quantos outros nomes que tomaram as rédeas do que vem ocorrendo depois da abertura e a anistia. Agora pergunto a vocês: Com que propriedade vocês defendem que a norma culta é instrumento de domínio sabendo que ao fazer isso vocês estão jogando o preconceito contra aqueles que prezam pelo bom português? Vocês conhecem tanto de política e filosofia quanto sabem defender quem quer nivelar por baixo a educação? Vocês já leram como o comunismo age nas camadas sociais? Vocês reclamam que professores são mal pagos e não viram que nos últimos 25 anos as escolas aboliram os sentimentos patriotas como cantar o Hino nas escolas, e mal percebem que isso é reflexo da política que nós temos.
    Outra coisa, quando não conseguem responder a altura o que um colega coloca, como colocou o colega ali acima que sabiamente citou Evandro Bechara que refutou sabiamente o livro “Por uma vida melhor” vocês respondem pondo um Poema do Drummont totalmente descontado e fora de propósito do argumento. Saibam vocês há 60 ou 50 anos no Brasil, antes da contaminação do comunismo, tivemos numa mesma época vivendo nomes da ALTA CULTURA como o próprio Drummont, Gilberto Freire, Bandeira, Mario Ferreira do Santos e muitos outros grandes pensadores; Hoje em dia o povo se contenta com Paulo Coelho. Esses meninos que escreveram esse texto precisam ler mais sobre política internacional, conhecer o pensamento político e a história brasileira para responder a altura e não defender uma confusão de lingüistas comunistas que estão fazendo uma bagunça na cabeça dos brasileiros com conceitos que em nenhum lugar do mundo existe. É preciso sim aprender a língua culta e saber usa-lá e não condená-la colocando como instrumento de Elite (conversa de comunistas, petistas). Vamos acordar pra vida crianças. Leiam livros como “O livro Vermelho do comunismo”, leiam e interprete as Atas do Foro de São Paulo e saibam o que ocorre na política senão vocês nunca vão entender o que ocorre nas mudanças da educação e vão defender professores que sofrem e adoram se lamuriar, mas não sabem explicar porque esta nessa condição e ainda defendem modelos que só contribuem para o retrocesso de nosso povo e a eliminação da alta cultura. Afinal, um povo ingênuo é mais fácil de driblar, diria Stalin ou Lennin.

    • 31/05/2011 às 16:14

      Prezado,
      A demora para a aprovação do seu texto foi porque buscávamos alguém que pudesse se dar ao trabalho de efetuar as devidas revisões. Também gostaríamos de ter recebido respostas se poderíamos ou não publicar um texto que relaciona nosso nome deliberadamente com atos e ideias que não expressamos. Como ainda não conseguimos, e o senhor ficou nervoso, resolvemos publicar assim mesmo.
      Porém, vão abaixo algumas informações:
      Deixamos bem claro, desde o início do texto, a quais jornalistas nos referimos e que esse é uma resposta a algumas informações errôneas deles. Não entenda como um ataque a toda a mídia: somos jovens e ainda temos crença que muito pode ser feito.
      É uma pena que não tenha gostado das ideias de Marcos Bagno. Pedimos, então, que escreva suas frases a ele.
      Quanto ao nome do gramático que o senhor teima em citar, devemos informá-lo que é EVANILDO Bechara, e não Evandro. E o senhor também parece sofrer do mal de não ler antes de falar. Pois uma leitura mais atenta da gramática desse autor vai te fazer ver que em diversas passagens até ele, que é tido como muito tradicionalista, assume que algumas construções e usos da língua são próprios do português do Brasil e merecem atenção.
      Também o senhor indica que não lemos a correta BIOGRAFIA. Esse termo serve para designar um gênero que apresenta a história de vida de uma pessoa. Acho que o senhor deve ter querido se referir a Bibliografia, certo?
      Pedimos, para finalizar, que não use nosso texto e nossas manifestações como desculpa para agredir uma forma de governo que o senhor não concorda. Não escrevemos por defesa de política nenhuma, muito pelo contrário. Nenhum dos autores é partidário. Quisemos, apenas, mostrar que a classe dos jornalistas tem muito poder e não pode menosprezar a nossa classe, humilhar os nossos mestres e justificar o baixo salário de todos os professores de um país de tamanho continental, pois isso pode ter consequências inimagináveis.
      Essa é uma resposta fundamentada em leituras e trabalhos de anos. Não pense o contrário. E pedimos, sobretudo, respeito ao se comunicar com os autores. Desrespeito não será publicado novamente, como não seria em nenhum blog e nenhuma mídia, não é mesmo?
      Atenciosamente,
      Manifestantes Letras PUC_SP

      • Lima
        15/06/2011 às 05:23

        anaamaliaalves : “É uma pena que não tenha gostado das ideias de Marcos Bagno. Pedimos, então, que escreva suas frases a ele.” >

        Digo o mesmo a vocês. É uma pena que discordem de Bechara. Peço então que escreva sua carta a ele.

        anaamaliaalves : “Pois uma leitura mais atenta da gramática desse autor vai te fazer ver que em diversas passagens até ele, que é tido como muito tradicionalista, assume que algumas construções e usos da língua são próprios do português do Brasil e merecem atenção” >

        Até aqui ninguem discorda. Variantes linguisticas já são tratadas desde as primiras gramáticas portuguesas do século XVI.

        anaamaliaalves : “Pedimos, para finalizar, que não use nosso texto e nossas manifestações como desculpa para agredir uma forma de governo que o senhor não concorda. Não escrevemos por defesa de política nenhuma, muito pelo contrário. Nenhum dos autores é partidário.” >

        Se nenhum dos autores é partidário, tudo bem. Eu tambem não sou. Mas respondendo isso, vocês estão mostrando que são incapazes de entender que é impossivel não falar de educação e politica num mesmo tema como esse. O ministério da educação, (leia-se, Fernando Haddad e PT) são coniventes como isso. Isolar politica da Educação é querer isolar a responsabilidade dos verdadeiros cabeças. Como fizeram na blindagem do Lula com o Mensalão. (ops, desculpe… Vcs não são parttidários. Esqueci… Vocês apenas ficaram bravinhos com os jornalistas mas não consequem associar o problema ideologico que veio com as politicas esquerdistas na educação. Enxergam apenas “localmente” e não “globalmente” – Eu sempre erro nisso. Perdão. Tsc tsc )

        anaamaliaalves : “Essa é uma resposta fundamentada em leituras e trabalhos de anos. Não pense o contrário. E pedimos, sobretudo, respeito ao se comunicar com os autores. Desrespeito não será publicado novamente, como não seria em nenhum blog e nenhuma mídia, não é mesmo?” >

        Estamos debatendo um tema importante. Desrespeito é quando partem para agressões verbais e chingamentos. Eu fui chingado e não chinguei. Faço criticas duras? Claro. E isso machuca, mas querer me censurar por isso realmente é demais.

    • Marcio
      02/06/2011 às 15:58

      O que você leu sobre Karl Marx? Acredito que absolutamente nada. A maioria que fala sobre o comunismo, ou ouvia falar, ou leio de modo fragmentado, ou seja, não sabe nada do que está falando. Você deveria elogiar a Marilena Chauí em vez de criticar, o pouco que ela fez para educação, e foi muito, você perante ela não passa de um ignorante.

    • Lima
      30/06/2011 às 08:50

      Escrevi o texto às pressas sem corrigir e por isso “escorreguei” – Reconheço a “falha nostra”: Leia-se “”””Evanildo Bechara (e não Evandro), leia-se ***Bibliografia” ( e não biografia). Reconheço a “falha nostra”. Há uma e outra coisa também por ai, mas como vi que se “preocuparam tanto com isso” e usaram disso para tentar invalidar meu argumento do qual não tiro uma virgula, cabe aqui o esclarecimento. Abs

  16. Joao Brito
    30/05/2011 às 21:53

    Ok. Eu só gostaria de saber qual é a razão de se ter tanto trabalho para substituir o conceito de erro/acerto (simples) pelo de adequação/inadequação (complexo) na sala de aula. Alguém já demonstrou que isso de fato influencia o aprendizado? O aluno aprende melhor se começa na sua “modalidade”? Ou isso é só para poupá-lo do sofrimento de saber-se ignorante? Todos o somos, em algum nível, o que não nos impede de estudar e aprender, e a maioria das vezes, com bastante prazer. Poderíamos poupar as crianças dessa dúvida sociolinguística (certo/errado ou adequado/inadequado) e simplesmente lhes ensinar a norma culta da forma mais agradável possível. E manter este debate nos círculos acadêmicos, até termos evidências suficientes que justifiquem toda essa trabalheira. Porque, na minha modesta opinião, quanto mais dissermos que o coloquial é adequado, menos gente se dará ao trabalho de aprender a norma culta. Que, sim, é difícil de ser conquistada, mas é uma poderosa ferramenta para a vida e uma grande fonte de prazer.

  17. ANA
    30/05/2011 às 21:56

    Como professora há 20 anos, nunca vi tamanha ignorância e cruel oportunimo sobre o tema.Ignorância linguística para forjar uma polêmica de cunho estritamente político e partidário.

    Parabéns por mais um manifesto em prol das variedades linguísticas legítimas e legitimadas na prática docente.

    • Lima
      03/06/2011 às 06:20

      Ora, vejam só. Então você “acha” mesmo que não li nada de Marx porque acredita que “a maioria que fala” não sabe nada? E você já leu Eric Voegelin? Eu sou capaz de apostar que não. Você é apenas mais um que acredita em senso comum, gnomo e conto de fadas. O que Marilena Chauí fez pela educação meu caro, é isso o que você vê hoje. Uma Educação brasileira numa crise sem precedentes: Ela e outros esquerdistas fizeram e vão continuar fazendo e você se contenta com isso, não questiona e acha que é lindo. Se você acha isso bom, leia mais sobre o comunismo como coloquei em outro post (que pelo jeito o senhor não leu e desconhece, caso contrário não pensaria dessa maneira). Alunos manipulados que cresceram doutrinandos num esquema de rebanho esquerdistas são incapazes mesmo de entender isso. Não o culpo por isso. Já passei dessa fase, quem sabe você um dia cresça e evolua para isso. Só precisa largar a preguiça e ler bons livros porque se acha que fazer faculdade, babar ovo para alguem que usa prédios públicos para fazer propaganda eleitoral (o que é crime) e votar no PT é suficiente, então só tenho a lamentar. Você só é mais um que vai engrossar as estastistícas e fazer parte da engrenagem que vai levar esse pais a ruína.

      • Marcio
        13/06/2011 às 15:30

        Você não leu Karl Marx e nem lera, vc é um ignorante, ou seja, aquele que simplemente ignora. Você não deveria, já que é bom leitor, escrever aquilo que não sabe. E outra, não podemos ler tudo, mas ler pelo menos os clássicos. O que a Marilena tem com os problema da educação no Brasil? Quem distruiu a educação no país foi o ministro Jarbas Passarinho, isso é que você deveria saber e não sabe. Vou ler Eric Voegelin, e te aviso quando terminar.

  18. Val Sousa
    31/05/2011 às 00:43

    Trabalho em uma escola particular onde os alunos adoram fazer piadas do jeito “errado” que suas babás e faxineiras falam, e vivo em uma casa onde as pessoas acreditam em tudo o que ouvem no Jornal Nacional. Travo uma luta diária contra esses falsos conceitos e visões unilaterais em todos os lugares que vou. Como pedagoga, estududante de Lingua Portuguesa, também não posso deixar de me manifestar. Seguimos confiantes em nosso trabalho de formiguinha e vem alguns desinformados querendo refutar nossas práticas. Mas esse belo texto nos mostra que nem tudo está perdido(apesar do alcance da mídia), fico feliz em ver estudantes engajados em debater questões de variedades linguísticas.

  19. Lima
    31/05/2011 às 04:07

    Parabéns, vocês realmente são justos na arte de ser parcial eliminando respostas contrárias a esse manifesto como fazem em paises comunistas e permitindo somente elogios. Onde estão os posts que criticam esse texto? Censura deslavada. Tenho asco de pessoas como vocês e esse manifesto não defende, apenas ataca a mídia e ignora a opnião de quem conhece o assunto como Evandro Bechara. Texto parco, descabido, desconexo e sem proposíto.

    • 31/05/2011 às 04:27

      Excelentissímo senhor;

      Primeiro, vamos entender o que sejam as críticas contrárias? Palavrões? Xingamentos? Séries de “eu acho”? Veja que seu comentário foi aceito, e o senhor é contrário ao nosso artigo. Por que? Por que o senhor construir seu argumento de forma organizada e séria. Neste blog (como em todas as comunidades que valorizam a razão) críticas cabíveis e bem construidas são permitidas.

      Eu, como um dos autores do artigo (a administradora do blog pode lhe-confirmar isso), afirmo sem medo que o Professor Doutor Evanildo Bechara fez um julgamento errôneo e precipitado da obra em questão.

      Um homem como Evanildo Bechara tem seu tempo muito ocupado com suas continuas pesquisas sobre nossa língua, de forma que sua opinião deve ter sido pedida sem tempo para que ele tomasse contato com o livro.

      Se o senhor quiser falar sobre especialistas nesta área com grande renome, sugiro que antes o senhor se lembre das obras do Doutor Professor Dino Fioravante Preti, pois o senhor citou Bechara, uma autoridade muito respeitada por nós sem dúvida, mas se esqueceu de Dino Preti.

      Tenho certeza que o senhor conhece o Professor Dino Preti e seus cinquenta e tantos anos dedicados a sócio-línguística no Brasil. Assim, por favor se lembre dele e volte aqui, porque a opinião de todos é de grande valor!

      Uma boa tarde,
      Cordialmente;
      Lucas Grosso

    • Joao Brito
      31/05/2011 às 14:16

      Não precisa se irritar, Lima. Eles são bons meninos e fazem tudo que os professores mandam, vão ganhar uma estrelinha vermelha por bom comportamento.

      • Débora
        31/05/2011 às 18:57

        Se fizéssemos tudo que os professores mandassem, não estaríamos criando um blog e expondo nossas ideias. Ou você acha que todos os nossos professores concordam com o que falamos aqui?
        Sempre existirá “gramática culta x variação linguística”.

        Longe de nós ofender EVANILDO (não Evandro, né? Nada mais válido que pesquisar e saber sobre o que está falando…), mas, reforçando o que o Lucas disse: e os estudos de Dino Preti? E o NURC? Anos e anos de pesquisa não devem ser ignorados.

  20. 31/05/2011 às 19:17

    A “tchurma” da PUC-SP está de parabéns. Ela tem uma pciência de Jó, respondendo, educada, sincera e veementemente aos achaques menos consideráveis… Eu ia dizer que a resposta tem sido irônica, mas temi ser vítima dos mesmos achaques. Estou com os “bons meninos” – que pobre esta expressão, na frase em que vio, recheada por intenções outras… tão rasteiras… – da PUC-SP. Gente inteligente que sabe se expressar e respeita – nos limites da boa educação – às manifestações… outras!
    Bravo
    José Luiz, UFOP

    • 31/05/2011 às 21:03

      Obrigada, Foureaux! É mto bom saber do apoio de quem pensa como a gente!

  21. 31/05/2011 às 23:18

    Queridos alunos.
    É com o coração repleto de orgulho que parabenizo vocês pelo texto organizado em resposta aos lamentáveis e irresponsáveis comentários midiáticos sobre o ensino da língua nossa de cada dia. Tendo militado, como podem observar o termo é relativo a guerra, mesmo, durante trinta e dois anos como professor do Estado, compreendi a dignidade do posicionamento de vocês. Se esses palpiteiros de plantão conhecem a sua profissão como demonstram “conhecer” a questão do ensino da lingua, “pobre” é essa mídia que os contrata a peso de ouro.
    Ou melhor, maldosa é essa mídia que só sabe ver o que é absolutamente secundário para uma vida melhor. Ler um jornal ou uma revista ficou algo surreal: o que não tem valor cultural – o lixo não reciclável das mentes horrivelmente superfic iais – é supervalorizado. Tudo em nome da novidade e do insensato imperativo categórico ( outro nome de dogmatismo ) de “fazer a diferença”. Mas quando é o professor que mostra estar fazendo uma grande diferença não vale, é claro.
    Parabéns, vocês engrandecem o ensino brasileiro, não só pelo belíssimo texto mas ,especialmente, pela coragem de enfrentar esses falsos formadores de opinião que se vangloriam do que escrevem e dizem, só porque têm sempre a última palavra.Além disso, vocês aliam sensibilidade para compreender alunos à disposição para lutar pelo que fazem. Vocês já são mestres, porque só mestres dão uma aula desse nível.
    Encantado pelo amor que vocês demonstram pela nossa profissão, me sinto intensamente recompensado pelo fato de ter estado com vocês nas nossas salas de aula.
    Um abraço em cada um de vocês porque é no abraço que os corações se unem e ficam mais fortes.
    Professor Joaquim B de Oliveira. Departamento de Arte.

  22. 01/06/2011 às 12:46

    Olá, pessoal.

    PARABÉNS!!!!!!!!

    Acho que para divulgar algo na rede é bom usar as redes sociais. Entre elas, você deveriam pensar a proposta de um vídeo no youtube (viral). Isto amplia a sua visibilidade. Sou professor na puc, se vocês tiverem interesse podemos conversar.

    Renato

    • 02/06/2011 às 03:28

      Temos, sim, com certeza! Obrigada pela ajuda! Por favor, precisamos do seu e-mail. Obrigada!

  23. 01/06/2011 às 18:28

    É por isso que eu digo: Tem gente que diz “nóis vai” e sabe onde vai. Há quem diga “nós vamos” e não sabe aonde “vamos”.

  24. Airton Moreira Jr.
    01/06/2011 às 19:23

    Parabéns pelo excelente texto, pela paciência em responder aos comentários e pela clareza na exposição das idéias.

  25. Emerson Antonio Miguel
    03/06/2011 às 02:47

    Tratando do mesmo tema o Programa CQC, exibido em 23 de Maio na Band, adotou a mesma perspectiva sensacionalista e preconceituosa da maioria da imprensa. Enviei, então, ao blog do Marcelo Tas o comentário que segue:

    “Senhor Marcelo Tas,

    Sou Professor de Língua Portuguesa e Literatura e gostaria de fazer algumas considerações sobre a abordagem dada pelo Programa CQC à polêmica cartilha do MEC.
    Os Parâmetros Curriculares Nacionais, nos quais a cartilha se baseia, foram assinados em 1998 (faz tempo, heim?!) pelo Ministro Paulo Renato de Souza e o Presidente Fernando Henrique Cardoso. Os PCN’s incorporaram ao ensino da língua materna todo um conjunto de estudos sérios na área da Linguística (a Ciência da Língua).
    A variação linguística (ou dialetal) é tão natural que está presente em todas as línguas. Vale notar que, se não houvesse variação – e como consequência, mudança linguística – estaríamos falando latim até hoje. Isso mesmo: LATIM. O latim “errado”, por isso mesmo alcunhado de latim vulgar, foi responsável pelo surgimento das línguas neolatinas, entre elas o português. Aquilo que se chama de “erro” está na base da evolução e desenvolvimento de qualquer língua.
    Tudo isso teria sido informado ao pessoal do CQC, caso tivessem recorrido a quem tem autoridade científica para tratar do assunto: os linguistas. Marcos Bagno, Sírio Possenti, entre tantos outros, têm uma vasta bibliografia em que tematizam estas questões.
    Quanto à concordância, alvo mais destacado da polêmica, basta nos reportarmos a outras línguas, como o inglês, para perceber que a marcação do plural pode ocorrer de maneiras diferentes daquela adotada no nosso português padrão.

    the green book (singular) / the green books (plural)
    o livro verde (singular) / os livros verdes (plural)

    Observe que, no português padrão, o artigo, o substantivo e o adjetivo recebem a marca de plural. No inglês, esta marcação se restringe ao substantivo. Regras diferentes que expressam o plural com a mesma eficiência comunicativa. Da mesma forma, variantes menos prestigiadas do português podem marcar o plural por regras distintas daquela que julgamos ser a “correta”:

    o livro verde (singular) /os livro verde (plural)

    Desta vez a marcação de plural recai somente sobre o artigo, também sem prejuízo da comunicação.

    Por tudo isso, vemos que toda esta celeuma não tem nada a ver com língua – pelo menos numa perspectiva séria.
    O preconceito linguístico é apenas uma ‘faceta’ do preconceito social. Existe inevitavelmente em uma sociedade hierarquizada e excludente. Luiz Inácio Lula da Silva sofre até hoje com ele, embora paradoxalmente – os números indicam – seja o que melhor soube se comunicar com a população (faço aqui apenas uma constatação, sem fervor político).
    Para concluir, afirmo que não vi até hoje qualquer linguista que aconselhasse não ensinar o português padrão. Até porque todo o conhecimento acumulado é registrado nesta variante da língua e todos os cidadãos têm o direito de ter acesso a esse conhecimento. Não posso concordar, no entanto, com a ridicularização das outras variantes do português baseada em clichês, preconceitos e critérios NADA científicos.

    Lamento que o CQC tenha preferido referendar o senso comum e construir suas tiradas humorísticas dentro de uma perspectiva sensacionalista. Começo a pensar que, ao tratar de outros temas, talvez isso também ocorra.

    EMERSON ANTONIO MIGUEL
    Professor de Língua Portuguesa
    Mogi Guaçu/SP”

    A resposta de Marcelo Tas ao meu comentário foi: “A quem interessam ‘os livro verde’, professor?”

    Percebe-se que o jornalista acha que a referida “cartilha do MEC” faz parte de uma política conspiratória que visa a manter a população na ‘ignorância’ e tirar proveito dela. Mal sabe que a exclusão social que ele pensa combater tem como um de seus intrumentos o preconceito linguístico.

    Fiquei feliz, no entanto, ao constatar que muitos professores de Português também se manifestaram no blog, defendendo a variação linguística como fato científico.

  26. Lima
    15/06/2011 às 05:02

    Marcio :Você não leu Karl Marx e nem lera, vc é um ignorante, ou seja, aquele que simplemente ignora. Você não deveria, já que é bom leitor, escrever aquilo que não sabe. E outra, não podemos ler tudo, mas ler pelo menos os clássicos. O que a Marilena tem com os problema da educação no Brasil? Quem distruiu a educação no país foi o ministro Jarbas Passarinho, isso é que você deveria saber e não sabe. Vou ler Eric Voegelin, e te aviso quando terminar.

    Sobre Marilena e a educação no Brasil? Ora, pesquise e verá. Ela sempre apoiou a esquerda de Lula. E Lula nunca priorizou a educação. Se você não sabe disso, deveria se informar. Ela é conivente com a politica dele e vai defende-lo até a morte. Logo, ela deve estar bem satisfeita com os rumos da educação no pais. Fora isso, poderiamos falar muitas coisas mas daria paginas e paginas… Sobre como ela usurpa téoricos esquerdistas, usurpa Spinoza com ideologias marxistas, faz a cabeça de alunos desatentos como você e usa prédios públicos para fazer campanha petista. Parece pouco? Acha que não é nada? Bom, talvez vc não se incomode com isso, mas eu sim porque eu quero o melhor pro meu pais. Mas enfim, pelo jeito você deve estar bem desinformado sobre isso tambem e me chama de ignorante. Realmente, eu devo ser muito ignorante porque ignoro o quanto as pessoas são ingênuas ainda. São incapazes de perceber a propria condição em que esta. Sobre quem “distruiu” (acho que você quis dizer DESTRUIU correto?) a educação, bem novamente se vê o quanto uma lavagem cerebral alguem fez em sua cabeçinha. Mas tudo bem, estou acostumado com os “ataques” como o seu. Ao menos reconhece que não conhece Voegelin. Não sou nenhum guro, mas se aconselharia você a ler livros que “abram sua cabeça” e mostre a lamaceira ideologica a qual a educação brasileira esta submetida ideologicamente. Procure ler sobre o comunismo, sobre educação feita em paises desenvolvidos e não aceite essa educação que Marilena Chauí acha que é boa. Uma educação que privilegia uma minoria (que os esquerdista chamam de “elite”) com dinheiro público como é USP não é modelo nenhum para nós e não deveriamos aceitar aquilo como modelo perfeito. Devemos querer mais. Exigir mais que isso. Deveriamos aceitar universidades de ponta para todos porque todos pagam impostos. Deveriamos aceitar governos que investem em educação e aguardam isso a médio longo prazo. Veja o exemplo da China. Embora seja uma república comunista, em 1979 eles investiram pesado na educação. Colocaram como PRIORIDADE. Hoje, colhem os frutos. Após 30 anos, a China tem universidade entre as melhores do mundo, tem uma tecnologia de ponta e avança muito nisso. O mal é que brasiliero não consegue enxergar alem de suas fronteiras e aceita tudo de mão beijada. Enfim, sempre é tempo de aprender. Espero que não seja tarde para você e muitos aqui que acreditam nessa carta aberta colocada por alunos manipulados. Abs

  27. Lima
    15/06/2011 às 06:06

    Lucas Grosso :Excelentissímo senhor;
    Primeiro, vamos entender o que sejam as críticas contrárias? Palavrões? Xingamentos? Séries de “eu acho”? Veja que seu comentário foi aceito, e o senhor é contrário ao nosso artigo. Por que? Por que o senhor construir seu argumento de forma organizada e séria. Neste blog (como em todas as comunidades que valorizam a razão) críticas cabíveis e bem construidas são permitidas.
    Eu, como um dos autores do artigo (a administradora do blog pode lhe-confirmar isso), afirmo sem medo que o Professor Doutor Evanildo Bechara fez um julgamento errôneo e precipitado da obra em questão.
    Um homem como Evanildo Bechara tem seu tempo muito ocupado com suas continuas pesquisas sobre nossa língua, de forma que sua opinião deve ter sido pedida sem tempo para que ele tomasse contato com o livro.
    Se o senhor quiser falar sobre especialistas nesta área com grande renome, sugiro que antes o senhor se lembre das obras do Doutor Professor Dino Fioravante Preti, pois o senhor citou Bechara, uma autoridade muito respeitada por nós sem dúvida, mas se esqueceu de Dino Preti.
    Tenho certeza que o senhor conhece o Professor Dino Preti e seus cinquenta e tantos anos dedicados a sócio-línguística no Brasil. Assim, por favor se lembre dele e volte aqui, porque a opinião de todos é de grande valor!
    Uma boa tarde,Cordialmente;Lucas Grosso

    Espera ai, o senhor esta pondo em dúvida os questionamento do professor Bechara em favor da sociolinguistíca de Dino Preti? Ok, não quero nem entrar no mérito da comparação entre ambos para não parecer que estou sendo rasteiro em dizer que Bechara, sendo um gramático e filólogo de peso inquestionavel poderia ser comparado com o professor Dino Preti, formado pela USP. O curriculum de ambos tem diferenças assimbrosas. Em tempo, sobre a especialidade de Dino Preti, a sociolinguistica só foi levado a estudos sérios de fato apartir dos anos 50, logo, o aspécto social da lingua e as variantes sempre foram amplamente discutidas, no entanto, apesar dessas variantes, o objetivo deveria ser o estudo da norma culta e não aceitar “variantes linguisticas de presidiários”, “variantes linguisticas de morro, funk, etc”. Aceitar uma variante é uma coisa, desprezar a norma culta é outra e o MEC não percebe a ferida que esta fazendo. Como diz o professor Bechara, “o brasileiro é um poliglota em sua lingua”, logo, quando se impõe, como o ministério da educação esta fazendo, livros como esse, cheio de viés ideológico ou o kit-gay, entre outras coisas, nos perguntamos até onde vai um país continental como o nosso que leva a sério a apologia do erro da linguagem popular, fazendo-a ser aceita no mesmo nível que a norma culta. Os gregos já valorizavam o estudo da gramática e da retórica 2500 anos antes de se ouvir falar em sociolinguistica. Negar o direito do estudo da norma culta a qualquer cidadão é um crime e se inverte o preconteito contra aqueles que prezam pelo estudo da lingua culta. Você citou Dino Preti, eu citei Bechara. Você provavelmente citaria Marcos Bagno e outros. Eu cito então o exemplo do bom português que se falava até o advento da sociolinguistica. Numa mesma época você tinha vivendo Drummont, Manuel Bandeira, Jorge Amado, Gilberto Freire, Mario de Andrade e muitos outros que aprenderam a escrever e respeitar o bom português e respeitar as variantes linguisticas indigenas, do sertanejo, do imigrante, etc. Compare o quadro dos individuos daquela época com o nosso. Hoje você tem por exemplo, Paulo Coelho (que se nega a corrigir erros de português de seus livros), Luiz Fernando Verissimo e um ou outro que nem de longe chega perto dos que prezam pela gramática. Os que ainda o fazem como João Ubaldo, Ferreira Gullar e mais alguns estudaram gramática focando a norma culta e primava pela excelencia da lingua da “última flor do Lácio” . Todos nós em tempos de internet podemos errar digitando aqui palavras por engano, mas ninguem poderia discordar que temos um padrão e ele deveria ser o nosso norte, nossa busca pela beleza da lingua. A sim uma grande preocupação sobre o fato do livro “Por uma vida melhor” ser aceito pelo MEC quando sabemos como anda a educação no pais. Esse livro vai ensinar nossas crianças a acreditar que não existe norma culta e que qualquer erro grosseiro pode ser aceito (citando exemplo do livro “OS LIVRO ilustrado mais interessante…). Um dia, daqui há alguns anos, teremos Machado de Assis adaptado para linguagem popular e ai gostaria de ver vocês, que acreditam que não há mal nenhum nesse livro, se posicionar a respeito quando vocês estão sendo responsaveis por uma parte desse processo. “Dourar a pílula” tem limites. Eu quero meu filho lendo um dia Camões, Pessoa e Garret sem desvios ideológicos. Eu quero meu filho um dia pegando um livro pedagógico sem apologia ao mal português. Por isso discordo de vocês colegas. Mas, como Voltaire, “Posso não concordar com uma palavra do que diz, mas defendo o direito de você a dizê-la”.

    • 15/06/2011 às 11:29

      Olá senhor, tudo bem?
      ————–
      Veja que o senhor está se precipitando um pouco em seus comentários. Segundo os trechos do livro aos quais tive acesso, o livro da porfessora Helena Ramos não está negando o estudo da “norma culta” (por favor, a questão sobre o que é cultura me exige uma formação que ainda não tenho), mas está demonstrando que o estudo dessa norma deve ser feito, porém este estudo não deve coibir os falares populares, mas sim ensinar aos alunos que há na sociedade, diferentes esferas de comunicação, e que em algumas esferas há a necessidade de se adotar uma adequação linguística mais próxima da “norma” culta, enquanto que em outras eferas é permitida uma flexibilidade meior em relação às normas gramaticais brasileiras.
      ———
      O senhor citou escritores. Se permite, Paulo Coelho de fato não é um escritor do estilo literário (não vamos entrar – agora – na questão do que é e o que não é literário, sim?) de Carlos Drummond, Manuel Bandeira, entre outros. Dessa maneira o senhor não precisa se procupar, pois temos nomes como Milton Hatoum, João SIlvério Trevisan, Marina Colassanti e Fernando Bonassi mantendo viva “a última flor do Lácio”. E gostaria, também, de lembrar o senhor que Jorge Amado ficou conhecido por reproduzir os falares de sua Bahía natal, em seus livros. Abra “Os capitães da Areia” em um trecho aleatório, e perceba que Pedro comete muitas inadequações, caso sua esfera de comunicação fosse a acadêmia de letras de Salvador; também há diversas ideologias no livro que cito aqui, dentre as quais “a greve é a festa do povo”. Portanto, talvez fosse recomendado que seu filho não lesse Jorge Amado, pois ele pode sofrer as influências da ideologia comunista, da obra deste escritor.
      ——–
      Ah, caro senhor, acabo de me lembrar que deveríamos banir Manuel Bandeira. No poema “Evocação ao Recife” ele fala que as notícias não chegavam pelo rádio mas pela voz do povo “a voz errada do povo, a voz certa do povo”. Devemos admitir que aqui há um grande desvio ideológico da “norma culta” não é mesmo? Imagine só, Manuel Bandeira falando isso.
      ———
      Machado de Assis adaptado a linguagem popular seria realmente maravilhoso, pois então teríamos um dos maiores nomes da literatura nacional mais acessível ao grande público. Isso não significaria, evidentemente, que a obra dele, em sua forma original, deva ser esquecida. Saiba que paises como a Espanha, o Reino Unido e os Estados Unidos fizeram têm publicações como por exemplo “Don Quijote”, Shakespeare e Poe em edições de linguagem adaptada? E justamente esses paises tem um mercado editorial bastante rico, e uma tradição literária bastante forte!
      ——–
      E vejo que o senhor aprecia Camões! É bom encontrarmos alguém assim hoje em dia. Porém eu sinto lhe informar que a gramática que seufilho aprenderá na escola não o ajudará a ler Camões, pois este patrono de nossas letras escreveu há quase 500 anos, e ao longo destes cinco séculos a sintaxe, a semântica e a morfologia de nossa língua se alteraram consideralvemente. Assim, a princípio, seu filho precisará de uma versão adaptada de Camões (caso seja de sua intenção, que ele leia este mestre ainda na infância).
      —————
      Por fim, senhor, gostaria de compartilhar com o senhor minha desaprovação pela forma como foi construído o kit-gay. O senhor viu aqueles vídeos no You Tube? Eles são radicais demais, por que não admitem as teorias de Jung, que a personalidade esta em constante formação, de forma que um jovem aos quinze anos não pode afirmar com 100% de certeza “Sou gay”. Também, a linguagem dos vídeos não fala sobre a igualdade de direitos independente de gênero, etnia, sexo, condição social entre outros. Neste ponto concordamos!
      —————–
      Mas encerro aqui senhor! Gostei muito de poder conversar com o senhor, pois também gosto de assumir uma postura liberal em relação a sociedade! Porém, me explique: “Mas, como Voltaire, “Posso não concordar com uma palavra do que diz, mas defendo o direito de você a dizê-la”.” Se o senhor concorda com essa frase, por que então atacar a um livro que apenas expressa uma opinião contrária a sua?
      ————–
      Aguardo sua resposta, meu caro amigo (permite que eu lhe-chame assim?),
      Cordiais saudações; Lucas

      • Lima
        15/06/2011 às 13:20

        Bem, as razões já foram demasiadas postas. De fato, sou duro nas criticas, mas qual a graça de ouvir apenas bajulações quando se há toda uma idéia contrária a uma tese? Não estou disposto a defender jornalistas disso ou daquilo. Entendo que eles não fariam criticas ao livro se não notassem que há algum problema com ele. Se o livro é tão importante como vocês entendem que ele é, não geraria tamanha polêmica entre gramáticos, mídia, opinião pública, professores, alunos, instituições educacionais, políticos, etc. Norma culta não é pra ser defendida, é para ser ensinada. Citei exemplos como Jorge Amado. Sim, já li alguns livros dele como esse que citou “Capitães da areia” e “Seara Vermelha” (onde há até mesmo uma introdução de Marx se não me engano na primeira pagina). Conheço o autor e não me preocupo com o fato de meu filho um dia vir a ler Jorge Amado por ter sido comunista. Afinal, eu li e não o sou. Prova de que não há de que ter medo. Eu tenho medo é do que estão fazendo com a educação hoje. . E seria repetitivo já que coloquei algumas razões. Não sou contra as variantes como você coloca ou parece ter entendido. Singular como basta alguém vir defender o ensino tradicional da norma culta que vem alguém para distorcer o argumento acreditando que com isso se esta contra a variante lingüística que se fala por ai o que é um sofisma. Fiz trabalhos na faculdade sobre variante do nordeste na canção de Luiz Gonzaga, Passativa de Assaré e outros. A riqueza da variante lingüística não esta em jogo. O que esta em discussão, é o livro que passa a idéia ao aluno que a norma culta é uma mera variante como o linguajar do jogador de futebol semi-analfabeto. O livro nivela a norma culta por baixo e isso é fato comprovável nos trechos e nos exemplos do livro. Já foi demasiadamente falado sobre isso. Outra coisa: Comparar um Camões ou uma obra qualquer do séc. XVI que sofreu adaptações da língua ao longo do tempo com “versões” são coisas diferentes. Se trocar palavras “gajo” por “mano” é considerado por você uma adaptação semelhante ao que foi feito ao longo da história com a Carta de Caminha ou o Teatro de Shakespeare uma coisa aceitável, então que se façam adaptações de Machado, Eça e outros de modo que o Mano Brown possa se sentir em casa. Não ligo mais… Depois do que já vimos por ai.
        Sobre sua pergunta sobre Voltaire, é fácil de responder. Primeiro “não ataco o livro que expressa uma opinião contrária a minha” – Ao contrário, eu discuto e ponho em duvida uma opinião que não é apenas contra a minha mais de milhares. Segundo, se essa resposta não for boa, insisto que o faço pelas mesmas razões que Voltaire escreveu “Candido” questionando Leibniz, quando cunhou tal frase.

  28. 15/06/2011 às 11:33

    PS: Caso Lima, meperdoe pelas minhas inadequações linguísticas à esta esfera comunicativa? Como me simpatizei com o senhor, quis lhe responder rapidamente, e assim esqueci-me de revisar meu texto…

    • Lima
      15/06/2011 às 13:27

      Caro Lucas, divergimos sim, como disse, questiono duramente, mas vi que você, ao contrário da maioria, não leva pro lado pessoal. Não há o que pedir desculpa já que tambem cometo inúmeras e provavelmente meus textos estão tambem sem revisão adequada. Mas o debate é mais importante. Abraço.

  1. 29/05/2011 às 04:42
  2. 29/05/2011 às 19:39
  3. 30/05/2011 às 01:14
  4. 30/05/2011 às 02:01
  5. 30/05/2011 às 06:02

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